Feitiço do Tempo: expressões do fetiche da tecnologia no fenômeno da aceleração social

  • Autor
  • Gustavo Requião Correa de Monlevad
  • Resumo
  • Este artigo faz parte de uma pesquisa maior sobre o fenômeno da aceleração social. Neste trabalho, pretendemos abordar a aceleração a partir da teoria crítica do valor (MARX, 2011; 2017), da filosofia da tecnologia (PINTO, 2005) e dos debates acerca do colonialismo digital (LIPPOLD; FAUSTINO, 2022). Para isso, o trabalho se desdobra em três pontos principais: a compreensão do que é o tempo social e apontamentos sobre sua manifestação contemporânea mais aguda, a aceleração social; uma articulação teórica com o conceito marxista de fetichismo da tecnologia – compreendido aqui como uma manifestação particular da categoria marxiana mais ampla, o fetichismo da mercadoria; e, por último, uma relação mais direta entre aceleração e fetiche, buscando caminhos analíticos para a relação entre esses dois aspectos centrais da vida cotidiana no capitalismo tardio digi-centrado. 

    A noção de tempo social se refere às mudanças na percepção coletiva de temporalidade (ROSA, 2022). Daí podemos derivar cinco conclusões preliminares: 1) percepção do tempo não é tempo em si; 2) quando falamos de percepção social do tempo, não estamos falando de percepções estético-narrativas sobre o tempo, de fruição singular; 3) tempo social se refere a uma tendência coletiva, não individual, de percepção do tempo; 4) o tempo não é percebido de maneira universalmente semelhante por todos os seres sociais, classes ou formações sociais; 5) tanto a nossa noção de tempo quanto nossa percepção de temporalidade são historicamente determinados. 

    O problema fundamental de uma porção significativa dos estudos acerca do tempo social é a relação causal entre o desenvolvimento das tecnologias digitais e a aceleração cotidiana. Esse tipo de percepção não é nova e pode ser encontrada, inclusive, em estudos sobre telégrafos, no século XIX. Compreendemos, segundo Marx (2017, p. 513) que o desenvolvimento tecnológico pode sim influenciar as relações de cotidiano, trabalho e percepção, mas apenas na medida em que se associa a outras forças econômicas e sociais. A compreensão da tecnologia como originária do fenômeno da aceleração é, fundamentalmente, ahistórica e esconde as relações sociais objetivadas nas tecnologias enquanto fruto de trabalho humano. Buscaremos, portanto, desenvolver a compreensão do fetiche da tecnologia como mecanismo de ocultação de trabalho humano (ROLIM MOTA; COSENTINO FILHO, 2024) desvelar a relação entre aceleração e tecnologiaabordando formas de mediação tecnológica na aceleração de processos sociais a partir do desenvolvimento técnico, marcadamente nos processos de produção e circulação do capital (MARX, 2011, 2012; FERRARI2012) 

    Forma específica do fetiche da mercadoria, esse fenômeno não é exclusivo da contemporaneidade. Em sociedades onde as infraestruturas digitais “são, simultaneamente, meios de produção e meios de comunicação” (GROHMAN, 2019, p. 111), é preciso reconhecer as particularidades das novas formas de expropriação de valor, sem abrir mão dos instrumentos que permitem a análise crítica à totalidade capitalista. Assim, o fenômeno do fetiche tecnológico se diferencia e especifica, gerando consequências particulares na forma como gerimos nossas relações sociais cotidianas (HELLER, 2016). Buscaremos portanto, compreender as formas pelas quais o fetiche da informação (BOLAÑO, 2018) mistifica a aceleração social para, então, encarar as expressões do fenômeno desvelado. 

  • Palavras-chave
  • Aceleração; Fetiche; Tempo; Tecnologia
  • Modalidade
  • Comunicação oral
  • Área Temática
  • GT 6 - Teoria e Epistemologia da Economia Política da Comunicação
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